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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O interior em ascensão

Paulínia é uma cidade em evidencia no cenário cultural brasileiro, nem o grande evento do Rock in Rio, nem os escândalos políticos da vizinha Campinas foram capazes de desviar os olhares que estão voltados para ela. Que a cidade em questão sempre foi rica e destino de empresários e trabalhadores que procuram novas oportunidades não é novidade, afinal está baseada aqui uma das maiores refinarias da Petrobras, entretanto desde a ultima gestão do ex-prefeito Edson Moura (PMDB) e agora também com a prefeitura de José Pavan Junior (ex-DEM) os investimentos na área cultural tem sido intensos.
         A cidade tem sido foco do cinema brasileiro, oferecendo espaço e recursos para a gravação e produção de longas-metragens nacionais com cenário e figurantes paulinenses, além de que a construção do Theatro Municipal possibilitou a apresentação de peças de teatro, orquestras sinfônicas, amostras e festivais de curtas e filmes e ainda a produção de trabalhos artísticos pela população, que participa de cursos oferecidos gratuitamente. A cidade feliz mostra seu sorriso cheio de dentes para todo o Brasil. A mídia, no entanto parece ignorar os contras e dificuldades que a população que mora nesse show de cidade encontra no seu dia-a-dia.
         Esses novos investimentos e oportunidades atraem profissionais e mão-de-obra sem especialização de diversos estados brasileiros, o numero de habitantes de Paulínia e região aumentou escandalosamente nos últimos anos e tende a continuar aumentando, fato que qualquer morador que vive na região nos últimos três anos consegue notar sem esforço ou dados específicos: as ruas estreitas estão lotadas, o transporte publico não suporta a demanda de usuários, faltam vagas nas escolas e creches (e profissionais de qualidade suficientes atuando) e os incidentes de violência são cada vez mais freqüentes numa cidade que sempre se mostrou muito calma; sem contar que o centro urbano não apresenta opções de lazer, não só para moradores antigos ou recentes, mas também para os turistas curiosos que visitam a tão comentada Paulínia. Falhas como essas são imperdoáveis se tratando de uma prefeitura que busca o desenvolvimento da cidade e programou tal movimentação cultural, devendo estar preparada e organizada para evitar os problemas citados.
         Há ainda outra questão de estimada importância resultante da falta de visão (ou de vontade) dos políticos que trabalham por Paulínia. Todo esse investimento e fluxo de transeuntes movimenta positivamente a economia de toda a região, porém a população, o povo que trabalha e corre atrás da própria sorte, não é beneficiado com todo esse dinheiro. As vagas de emprego para o SWU exigem mão-de-obra especializada, os serviços oferecidos nos sets de filmagem não passam de bicos com os quais um pai de família não pode contar, os cursos gratuitos aos quais os moradores tem acesso não são profissionalizantes e não oferecem oportunidades de ascensão social. Quem ganha com tudo isso é a própria prefeitura, os grandes hotéis e o organizador do SWU. Além de que, o festival de musica em questão tem um preço inacessível para a maioria da população assim como as grandes manifestações culturais que freqüentemente são aplaudidas pela elite no Theatro Municipal.
         Como não há novas oportunidades de emprego para a população, o jeito é depender dos trabalhos antigos mesmo, uma das maiores fontes de emprego da cidade é a Petrobras que hoje está repleta de trabalhadores de outros estados que viajam em busca de uma vida melhor em uma cidade nacionalmente conhecida e visivelmente enriquecida, ocupando assim as vagas que antes pertenciam aos trabalhadores locais.
         O centro enfeitado e arborizado, a felicidade contida no slogan, as expectativas criadas pela mídia, nada disso faz parte da vida do cidadão paulinense. Apesar do enriquecimento cultural e econômico que tais ações trazem para a região campineira e das oportunidades de desenvolvimento que o enfoque da mídia pode oferecer, a gestão não está sabendo beneficiar a população da forma que deveria ser beneficiada. Os mais pessimistas declaram perceber a implantação da política medieval do pão e circo. Se tratando de uma cidade que sempre apresentou deficiência nas ideologias políticas nota-se uma demora na efervescência esperada por parte da oposição. As eleições estão logo aí e conservadores já mechem seus pauzinhos para conquistar eleitores e continuar atuando com o descaso já conhecido, cabe aos eleitores escolherem por um outro caminho ou pela mesmice.

Paulínia, vinte e nove de setembro de 2011.

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